Piloto militar ou piloto civil: qual carreira pretende optar? Entrevista com Coronel da Academia da Força Aérea mostra a formação dos Cadetes Aviadores da FAB

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O sonho de se tornar piloto no Brasil pode ser realizado de duas formas, basicamente: ou por meio militar com a Academia da Força Aérea (AFA), da Força Aérea Brasileira (FAB), ou por meio civil com as Escolas de Aviação Civil, certificadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) espalhadas por todo o país. O interessante é que muitos alunos não conhecem a segunda opção e, por vezes, desistem de ir em busca de seus sonhos porque não conseguiram a aprovação nos concursos da Força Aérea.

Para esclarecer melhor sobre as maneiras de concretizar o sonho de se tornar piloto, buscamos na Academia da Força Aérea a forma como que os Cadetes Aviadores da Força Aérea Brasileira estudam, preparam-se e se formam pilotos. A entrevista é com o Coronel Aviador Yuri Brauner, Chefe da Divisão de Operações Aéreas. Confira a entrevista abaixo:

Inicialmente, questionamos sobre as aeronaves com que os Cadetes Aviadores têm contato durante a instrução prática de avião. A pergunta foi a seguinte:

1) Dentro dos quatro anos de curso do Cadete Aviador da AFA, quais aeronaves eles têm contato e em que ano ele passa pela instrução prática de cada avião?

Resposta: começo pelo que é curricular que são as operações com as aeronaves T-25 e T-27. Atualmente, o Cadete Aviador voa o T-25 para realizar uma seleção no 2º semestre do 1º ano. Ele faz a fase de pré-solo que consta de, aproximadamente, 13 missões, em que ele voa uma média de 20 horas.

As missões têm duração de uma hora ou, a maior parte, de uma hora e 15 minutos, entre mais alguns voos que, possivelmente, podem ser abortados, devido à meteorologia ou falha material. Portanto, acabam que, na média, eles cumprem cerca de 20 horas.

O curso de 2020 terá uma mudança de 13 missões para 15, sendo uma sem decolagem. A missão sem decolagem é denominada de Pré-solo Zero (PS Zero). O Cadete irá, apenas, dar a partida, fazer todos os cheques no avião, táxi, até se posicionar na cabeceira, acelerar, correr na pista, abortar a decolagem, fazer o táxi de regresso, ir até o pátio e cortar o motor, para que seja um primeiro contato com a aeronave, principalmente, com a parte de inspeções e cheques do avião, que são atividades que o Cadete tem muita dificuldade nesse primeiro momento.

E iremos aumentar uma missão de tráfego: as missões de pouso de toque arremetida. No geral, os Cadetes fazem, atualmente, 3 missões de tráfego com dez toques arremetida cada um. Totalizando, só para as missões de tráfego, 30 pousos. Iremos fazer 4 missões de tráfego, com 7 pousos cada uma que irá totalizar 28 toques, só nas missões de tráfego. Então o número fica aproximado, e o Cadete tem a oportunidade de fazer mais vezes a mesma missão, deixando de ser uma missão repetitiva e cansativa. Praticamente não mudará de 30, passaria para 28, mas aumenta o número de missões. Atualmente, de uma hora irá passar a ser de 45 minutos.

Depois disso, ele voltará a realizar operações aeronáuticas somente no 4º ano com o T-27 Tucano. Assim, ele faz todas as fases: manobras e acrobacias, voo de formatura com dois aviões, voo de formatura com quatro aviões, voo por instrumentos, básico e avançado. Também realiza a instrução no simulador, depois das navegações visual, navegação-rádio e voo noturno. São somente duas missões que são só para realizar a ambientação.

 2) Em quais anos e quanto tempo dura o curso dos Cadetes para cada aeronave?*

No 1º ano e no 4º ano. O curso do 1º ano dura, em média, 3 meses. E o curso do 4º ano, dura, em média, 8 meses. Apesar de o curso do 4º ano ser bem mais intenso. Em média, são feitas 20 horas no avião T-25. No T-27, o Cadete Aviador irá cumprir cerca de 80 horas. Se fosse fazer a proporção, seriam 12 meses o curso do T-27, mas é feito em 8 meses, porque ele já está mais ambientado com o voo. Conseguimos colocar o Cadete em uma frequência maior de voo, muitas vezes fazendo dois voos no mesmo dia. Por isso conseguimos reduzir o tempo.

 

3) Eles demonstram mais dificuldade em voar em qual aeronave?

Eles demonstram mais dificuldade em voarem o T25 por ser a primeira aeronave. O T-25 é o primeiro contato e, sem dúvida, o mais traumático, trabalhoso e que requer muito mais adaptação ao voo. Existe um preparo para esse momento, como o voo mental, técnicas de estudo e uma série de adaptações, além de memorização de cheques, manuais e procedimentos de emergência. Também são necessárias algumas atitudes que precisam ser desenvolvidas em um voo, como proatividade, iniciativa e capacidade de conduzir o próprio voo.

4) Quais as vantagens sobre a instrução dos Cadetes acontecer em duas aeronaves diferentes?

 Atualmente, há dois projetos que são os voos de T-25 e T-27. Se analisar o cadete isoladamente, quanto mais ele voar, melhor, como piloto. É melhor voar diversas aeronaves, pois obtém mais experiência, desenvolvendo técnicas diferentes. Ele vai se adaptando. É um ganho para o piloto.

Texto: Flávia Cocate
Fotografias: Seção de Comunicação Social da AFA e Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER)

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